sábado, 27 de junho de 2015

Um Amor que Caiba em mim.... E Nos Meus Sonhos...


" Agora eu vou cantar pros miseráveis... Pras pessoas de alma pequena      Remoendo pequenos problemas... Pra quem não sabe amar, fica esperando  ALGUÉM QUE CAIBA NOS SEUS SONHOS." 

    Forte o que Cazuza cantou no Blues da Piedade né? Me perco na forma visceral que ele tinha de expor suas ideias, sendo incisivo sem ser agressivo... A primeira vez que ouvi a música, isso me pareceu uma crítica a nossa busca desenfreada por amores perfeitinhos, pessoinhas sem defeitos que caibam nos nossos sonhos (perdoem-me o plágio). 
Mas hoje não... Hoje concordo com o Senhorito Cazuza (e sim eu ouço Cazuza mesmo estando na igreja DEUS ME FALA QUE TUDO POSSO SE EU EXAMINAR... ENTÃO NEM BLUE PARA OPINIÃO ALHEIA) e ouso afirmar que ele alfinetava alguém que estava buscando o que diz na música..., mas, entendo que lá no fundo, bem no fundo do fundinho mesmo, o amor nada mais é que " buscar alguém que caiba em nossos sonhos" e em nós. É buscar alguém cuja imperfeição a faça perfeita, alguém que irá recusar os moldes que tentamos colocar nela, mas que se adapta dentro dos parâmetros necessários para a boa convivência. Querer e buscar alguém que caiba nos nossos sonhos é enxergar esmiuçadamente o lado oculto e revelado de cada um...  E volto a repetir, (aprendi na pedagogia que a repetição gera aprendizagem e que decorar é nada mais, nada menos que DE CORAÇÃO GUARDAR... uhulll viva a pedagogia) buscar alguém que caiba nos seus sonhos é alguém cujas imperfeições a torne perfeito, alguém com defeitos tolerados e qualidades COMPLEMENTARES.
Cazuza sabia que precisamos de alguém que nos lembre dos nossos sonhos, projetos e desejos que escondemos por tempo suficiente para esquecermos, alguém que vasculhe nossas gavetas e caixinhas das lembranças e diga, “ Caraca, mor, véi o que isso está fazendo aqui escondidinho? Por que guardou isso sem concretizar se isso é muito PAIDEGUA? ”  (Paidegua é algo muuuuuuuuiiiito legal para os Paraenses... Tá eu sei que não sirvo pra gírias)...                                                               O que não entendemos é que nosso erro é querer alguém que caiba em nossos sonhos, como aqueles gessos que os médicos colocam em nós quando quebramos braço ou perna ou coisinhas assim, e se você já quebrou algo e colocou gesso você sabe que gesso é tão, tão igual ao membro que de tão igual que parece parte de você, eis que aqui surgem as complicações, você não consegue coçar ou mexer porque não há muito espaço. Algo me diz que ninguém que amores assim né?           
Acho que o amor que buscamos é como uma luva na mão, meia no pé, e aquele moletom velho... te aquece, mas não o bastante para que se esqueça que está frio, se adapta ao teu corpo, mas não limita teus movimentos, você sente que ele está em você, mas não te faz esquecer que você é você... meias, luvas e moletom estão em nós, mas não nos impede de sermos nós... e mesmo que não seja do tamanho certo, alegremente vestimos, ele se serve e pronto, e sendo velho, rasgado e descolorido então... nunca vi algo nos fazer mais feliz...
         Mas, para caber em você e no seu sonho, o amor tem que ser como aquela roupa que você quer vestir toda semana, aquele pijama que se pudesse, você iria trabalhar com ele, o amor é conforto, te abraça, mas não sufoca, te confronta sem te fazer querer abandonar o barco. O maior erro deste século, é que tentamos amar alguém, mas antes disso, o alvo do nosso “amor” tem que se tornar quem e como desejamos que ele seja, somos o gesso no quebrado do outro, tentamos loucamente achar alguém que nos dê amor na medida exata que queremos, que faça o sexo que precisamos para saciar o corpo que na verdade é insaciável, sempre desejaremos o que não temos a grama do vizinho será sempre mais verde, buscamos alguém para nos dar o carinho que nós mesmos julgamos merecer. Buscamos uma pessoa que queria nos ver a mesma quantidade de horas por dia e semana que desejamos vê-la, que queira os mesmos números de beijos que desejamos....
            Só que não notamos que as molduras humanas, são os porões do coração, meu e do outro. E acredite que você ou não ainda tem muita gente se contentando em viver em porões por querer perfeição demais em suas relações, ah Wanessa você é uma perfeccionista e exigente assumida, como pode me falar isso? Pois é .... 
Mas se que te contar que no auge dos meus 25 anos   que está a caminho, meu maior erro foi colocar gesso e não meias em meus relacionamentos você acredita? Se te contar que as vezes tenho vontade de me socar por não saber ceder, confiar e arriscar você creditaria? Haha só falo do que tenho conhecimento kkk. 
Creio que o ideal, é tentar não moldar o outro, mas moldar a fôrma, pois o risco de tentar mudar alguém é que as mudanças são imprevisíveis, e a pessoa pode passar a caber menos na nossa forma, ou nem querer entrar. Se é difícil? Não imagina, facílimo... só que nunca, sabem porquê? É mais fácil culpar o outro por não caber em nossas fôrmas de gesso, que reconhecer a minha inadequação a fôrma dela. Não é fácil e sinto na pele isso, não e fácil admitir que a pessoa perfeita não existe, que o príncipe do cavalo branco não existe e o pior, se ela existisse poderia não querer ficar conosco, pois ela estaria a procura de alguém perfeito e da realeza com ela.
Quanto a mim, comprei meia, luva e moletom, largos, afim de que a pessoa que espero imperfeitamente encontrar, confortavelmente caiba nela, e sei por meio da minha fé que onde quer que esteja, alguém também está esticando bem a meia dela para abrigar meus pezinhos cansados de me perder, mas espero que ninguém me condene e te condene por não aceitar me adaptar a algumas coisas, pois existem coisas que simplesmente são tão odiosas e desprezíveis que não devemos aceitar nos submeter a elas, como um tom de voz mais alto, uma palavra mal dita, uma humilhação ou até mesmo um convite pra ir ao show da Walesca popozuda...

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Obrigada por ler, Deus te abençoe grandemente