quarta-feira, 22 de julho de 2015

A Colcha de Retalhos

    Recebi um presente diferente esta semana, da mãe de uma amiga muito importante. Uma colcha de retalhos, parece simples né? e na verdade é simples aos olhos de que não sabe parar para olhar o que há por trás da sutileza da simplicidade, e sempre tento olhar tudo com calma, com óticas novas e simples,acrescentando  amor aos meus olhos, para que ele esteja em tudo que eu olhar. A mãe dessa amiga é um exemplo para mim, tal como a filha! Gosto de gente que se supera, se entrega, que acolhe, sorri e dá o que tem, na intensidade que se tem. A Dona Conceição é uma artesã, que não se aquieta, uma artesã de sabedoria iletrada, uma artesã que adoça a vida, com seus deliciosos doces e seu jeito único....

   Quando ganhei essa colcha, essa simples colcha de retalhos. Eu não tinha ideia, da lição  que ela traria consigo, mas esta madrugada eu parei para imaginar, ou pelo menos tentar imaginar a Dona Conceição, com destreza separando, cortando, juntando e costurando cada pedacinho até que ela ficasse pronta, mas não podia ser um juntar qualquer, devia haver encaixe...

Conclui que a vida é uma Artesã, que nos separa de pessoas e nos encaixa a outras, uma artesã nos ensinando a fazer um acolchoado dos nossos problemas e dificuldades, nos fazendo lembrar que podemos superar nossas dificuldades  e momentos difíceis, os pedaços falam-me não só de quem eu era e quem me tornei, mas também dos fatos e dificuldades que eu dizia que não seria capaz de suportar ou resistir...
Amores que nos fazem sofrer, morte inesperadas, brigas tolas e sem motivos fortes que poderiam sim serem evitadas, sonhos que viraram pesadelos... Sim há cores tristes na colcha de retalhos de nossas vidas, mas há também dedicação em juntar os pedaços eliminando o que não serve mais, e costurando, ao que ainda é forte, bom e de valor...

 O amor costura diretamente o triste a alegria de olharmos para trás e vermos que tínhamos sim tudo para sermos uma colcha triste e sem utilidade, mas somos retalhos que Deus usa para enfeitar e encantar outros retalhos, Ele nos dá a mesma força que deu  as junções e emendas que a Dona Conceição deu as costuras de cada parte da colcha que ela me deu. Sim outras pessoas já foram donas desta colcha que hoje  se torna minha, e isto me lembra que meus pedaços podem ser compartilhados, minhas dores e experiências são vistas pelos outros e os ajudam caso passem pelo mesmo que passei. Meus retalhos mostram carinhosamente, que os espinhos embelezam sim as rosas, pois fazem parte dela, a  beleza e a feiura se equilibram, e juntas valorizam mais a fragilidade e pigmentação das pétalas...

 Somos colchas de retalhos, todos diferentes, parecidos, mas nunca iguais...! Uffa AINDA BEM...
Ainda bem que cabe a mim e a forma com que escolho olhar e encarar agora o problema, logo eu mesma escolho as costuras, eu escolho o que o outro verá, se bolinhas, flores, cores ou estrelas do mar pouco importa, só preciso deixar claro que a solução, vem da decepção.
Ainda bem que a beleza da minha colcha é uma responsabilidade minha e de ninguém mais, porque ninguém vive por ninguém as dores que não lhe pertencem, mas se lá no final as cores não combinarem, os tecidos não se encaixarem, e as costuras não forem tão fortes a culpa também é minha que costurei tudo da forma que vivi a vida...

 Eu sei que as mãos e a visão da Dona Conceição, já não permite que ela faça suas artes com a mesma beleza e agilidade de antes, e logo serei eu, a artesã sendo observada e admirada, pode ser que eu não faça uma colcha de retalhos física e palpável como a Dona Conceição, mas  minha vida será uma colcha de retalhos, pode ser que  mais pessoas cheguem admiradas com minha vida e outras tantas me deixem por conhecer de perto a origem das costuras...

Mas assim como ganhei esta colcha da Dona Conceição, quero passar ela pra alguém, quando encontrar quem precise, aprender a ver a vida com amor e calma. Quero contar um pouco sobre  o quanto  a Dona Conceição era uma artesã de fibra, do quanto aprendi com ela,  e com sua filha adorável, capaz de facilitar a vida do outro, sem invadir ou impor nada, a vida da Dona Conceição e da Família dela está costurada a minha... E cabe a mim dar um final bonito ou não a esta colcha que tento tecer... E espero fazê-la da melhor forma possível.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Fique sem eu ter que pedir

As vezes o corpo que colo, e o colo quer presença sem termos que pedir por ela; outras tantas vezes o abraço demorado é um silencioso aviso a 
Dizer: EU NÃO ESTOU TÃO BEM.
Estranho como a agitação se transforma em necessidade de calmaria, estranho como o corpo sente carência de afago, de cumplicidade, de pele, de silêncio, mas em dupla.
Fica cada vez mais claro, o porquê da afirmação de que NÃO É BOM QUE O HOMEM VIVA SOZINHO... 
A falta vem, o peito silenciosamente grita, a pele arde clamando por toque e entrega. Não creio que alguém seja feliz sozinho, como também não creio que alguém seja metade de alguém, mas creio que as pessoas se juntam para se somar, tem que haver encaixe, o abraço tem que acalentar senão ele é vazio, as mãos devem bem mais que se entrelaçar...
Diminui meu tom, meu ritmo, em minhas festas já não tocam, rock in roll hoje as baladinhas são para colar o rosto, ficar perto.... E por gentileza vida, manter apenas quem se agrade deste ritmo. 
É que as relações anteriores me sugaram tanto, que hoje não resta, força, ânimo, muito menos paciência para olhar no outro e com voz falha pedir FICA UM POUCO MAIS.... Também já deixei de lutar para manter alguém...
Não brinco de sentir falta e cada EU ESTOU COM SAUDADE É VERDADE, parei de dizer EU TE AMO sem de fato amar e querer.
É que entendi que o adeus faz alguém sofrer, entendi que amor e presença implorados não passam de esmola, e esmola é sempre o que sobra quando o principal já foi sanado.
Não dá pra amar quem muito se ausenta, não dá pra abraçar um porco-espinho sem se ferir, não mantemos amor por quem nos afasta... Se não houver reciprocidade, se ama sozinho, se doa sozinho, se quer sozinho, Permanece sempre S.O.Z.I.N.H.O...
E não dá para ser sozinho junto, um não casa se o outro quer viajar, um não briga se o outro prefere abraçar.
Não compensa implorar para ser amado, não é verdadeiro quando o outro está com você. Sem estar por escolher estar não só com você, mas em você, isso é relação meia boca.
Meus desgastes são só meus, e prefiro estar quieta a lutar por um monólogo, estar sozinho  não é legal, mas estar junto sozinho é intragável, e o mesmo que procurar água e só achar fogo e deixar-se queimar mesmo sabendo desse fogo, não existe amargo no doce do mel, não vale ser objeto na estante de ninguém, nem mesmo vale ser a pessoa a ser lembrada quando o resto da agenda já tinha compromisso...
Quero colo sem ter que pedir para o outro ficar, e ele também não é obrigado a adivinhar o que quero... 
Só quero relações em que possamos saber o que dizem os olhos, quando a boca cala e sorri, quero que os corpos saibam que podem e devem ficar, e identificar o corpo pedindo mais afeto se trata de relacionamento, bem mais que de envolvimento...
Envolvimento é sexo casual, é amizade colorida, é querer sem manter, é beijar e abraçar sem fechar os olhos, é só lembrar o nome sem se recordar do rosto.... Relacionar e conhecer a fundo, é saber como o outro acorda, e permanecer lá, independente de como ele irá acordar, é ter saudade do jeito de falar do outro... E conhecimento minucioso do afeto, é desvendar facetas e colorir cada centímetro do outro...
Tenho desejado mais, e não há erro em me colocar como primeira escolha em todas as possíveis opções, não vou mais pedir para que algumas pessoas fiquem, mas as portas encostadas não serão garantia de direito a retorno...
Tenho desejado, colo, presença, calor, e mais noites em casa fazendo chá no intervalo do filme, mas não quero pedir por relacionamento, quero que haja desejo, interesse sem ter me desdobrar para dar a alguém motivos para estar comigo...

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Arma e Resposta

        Me convenço diariamente de que Mateus estava certo quando disse que nos últimos dias o amor de muitos se esfriaria, MT 24.12, e acredite eu não estou me referindo ao amor vertical (nós e Deus), pelo menos não especificamente.  Me refiro ao amor horizontal (nós e nosso próximo), assim como me convenço diariamente que amor tem mais de liberdade do que de amarras, amar não é ser dono, mas sim um colaborador na vida do outro, pode parecer piegas, mas o amor caminha ao lado como quem segura as mãos, mas não impede o outro...

    Não impede o outro de ser ele, de ter e ser feito de singulares diferenças, de se abrir, de se expor, de falar a verdade na cara, de não ter que viver medindo cada palavra dita.  O amor não tem medo de ferir, não tem medo de tempestades de verdades, pois lá no fundo e bem lá no fundo ele sabe que o torna verdadeiro o amor é o fato, o simples fato de permanecer e mesmo ferido lutar, mesmo ferido perdoar, mesmo ferido entender que o amor brota justamente das sãs imperfeições, dos ajustes, das brigas e discussões.

Já se perguntou porque o amor de Cristo o levou pra Cruz? Ou apenas eu e minha mente fértil, visual e inquieta já se questionou o porquê de morrer para demonstrar amor?  Não entendia a grandeza, largura e profundidade deste amor, mas um dia compreendi que Jesus queria ensinar que o amor só é amor quando o benefício do outro vem antes do benefício próprio,  que lá na CRUZ ele provou que só podemos dizer que AMAMOS ALGUÉM após já termos DITO  EU PERDOO você,  mas também esqueço... Perdoar e não esquecer nunca foi perdão,  nem Nunca será... Não estou falando que teremos amnésia Ou que anularemos o erro ou coisa assim, mas se a dor de lembrar for maior que a aprendizagem que a situação trouxe, algo ainda está fora do alcance da cura.

     Nossas mazelas, falhas, deslizes e erros trazem consigo generosas porções de crescimento, só precisamos reajustar as lentes mas, temos está mania de sempre olhar por outro e ver apenas o mal que e ele nos fez, como se não houvesse nesta mesma pessoa parcelas de coisas boas e admiráveis, a verdade é que somos doentes e nossos dodoizinhos,  parecem nos cegar para o fato de que nossa humanidade também fere, agride e machuca a humanidade do outro, mas se o amor de Cristo o levou a Cruz e da Cruz ele foi até a morte, por que desistimos do outro? Porque nós afastamos quando notamos as imperfeições se Cristo, se o próprio Cristo, sabendo de cada uma das imperfeições de cada pessoa existentes no universo ainda morreu? E morreu por voluntariedade! Parece alto demais o preço que se paga por amar alguém neh? Mas são mesmo altos os ganhos em ver no sorriso do outro, na felicidade incontida e saber que foi o seu amor e seu jeito de amar que causou tal felicidade...

     Em um mundo dotado de relacionamentos superficiais, me encanta quem consegue saber quem o outro é, e ainda conhecendo o outro em seus extremos é capaz de desistir das exigências, deixar as insinuações e projeções do outro caírem olhar para no que há de pior, feio, errado e ter no peito a certeza de você não seria metade do ser humano que é de não fosse a forma imperfeita do outro.

 Na cruz, o Cristo mostrou que não importava o sacrifício que seria feito, não importava que fosse a morte o preço, louvável é morrer pra que o outro cresça, nobre é fazer com que diariamente e a cada segundo pessoas se recordem do preço pelo amor... Pelo preço de entender que só somos melhores quando danos ao outro o direto de crescer em nós,  por nós e através de nós,  se o amor lança fora o medo porque ainda tememos amar? Se preocupamos tanto com o que Jesus faria em nossos passos porque o Órfão, a viúva, o idoso e quem passam fome não tem nome?

      Nosso amor é amor de político em campanha, milhões de promessas até obtermos o necessário para nos promover, até obtemos algo que sacia nossa sede, após isso nossos amores não passam de promessas de carnaval, e como dificilmente amores de verões resistem aos invernos, descobrimos que nunca amamos as pessoas por quem elas são. É mais fácil sumir da vida dela, que lutar contra nosso eu que se prioriza.... 

       Precisamos entender que o amor tanto é uma Arma, como também é uma Resposta.
 O amor como arma é avanço, mas o amor como resposta é solução para o que parece sem jeito, o amor como arma fere, como resposta é o fim para as fomes do mundo, como arma o amor pode agredir, mas como resposta pode silenciar uma guerra... o amor como arma e divisão, como resposta, às bombas nucleares são apenas bombinhas de São João, o amor como arma te leva a ferir, como resposta te coloca diante do Sacrifício da Cruz…

Então o que você escolhe Arma ou Resposta? Só se lembre que o esfriamento do amor entre as pessoas é fruto do esfriamento do nosso amor por Deus.