terça-feira, 27 de setembro de 2016

Casar é fechar os olhos...

Esta semana, conversando com um pastor ouvi algo que me deixou encantada ao mesmo tempo que reflexiva ele disse:

“– Olhe bem, sim abra bem os olhos quando estiver namorando. Olhe bem para enxergar todos os defeitos, por todos os ângulos e de todas as formas. Pois namorar é abrir os olhos, e casar... Casar é fechar os olhos, se você viu defeitos no namoro, e ainda assim resolveu se casar, não terá o direito reclamar do defeito após se casar.”

            Sinceramente???? Queria que os pastores falassem mais isso... 
Sabe aqueles discursos que dão vontade de aceitar Jesus de novo, ou dizer PALAVRA DA SALVAÇÃO GLORIA A VÓS SENHOR? E digo isso como um a solteira, que vê as atitudes de algumas pessoas em seus casamentos e cada vez mais está certa de que se for pra ter um casamento parecido, ficar sozinha é a escolha mais certa.

            E digo isso não como alguém que se levanta contra os casamentos, mas como alguém que não quer jurar amor em um momento de emoção e passar o resto da minha vida a reclamar por defeitos que eu devia ter visto antes de me comprometer com a pessoa diante dos nossos amigos e da nossa liderança, a fala desse pastor reforçou ainda mais minhas opiniões sobre o casamento.

             José Saramago diz que se Romeu tivesse olhos de águia, ele não se apaixonaria por Julieta, uma das vantagens de ter olhos de águia é poder enxergar em detalhes, enxergar além da aparência bonitinha, isso pode trazer à tona coisas com as quais não estamos dispostos a lidar, com as quais não conseguimos lidar, porém mais importante do que olhar, é o que faremos com o que vimos... Ignorar? Fingir que não vemos? Pagar o preço para fazer dar certo sem jogar na cara na primeira briga?

            Temos nos esquecido de aproximar daquilo que temos olhado, temos sido uma geração que jura amor eterno ao som de Trabalhistas “sou de ninguém, sou de todo mundo”, por que? Por que antes de olharmos o território gritamos um pra sempre que dura até a primeira mascara cair.

             Vivemos de projeções, está e a verdade, não entendemos que necessariamente não é do outro que precisamos para sermos felizes, e sim de sermos fieis a nós mesmos ainda que tenhamos o outro ou não, se trata de não depositarmos no outro expectativas, e está aqui a dificuldade dos relacionamentos, porque quando nos aproximamos, quando convivemos percebemos que o outro não era bem o que imaginávamos, nada é fixo, vamos nos machucar e isso é fato...

             Casar, relacionar é convivermos com o outro em sua porção inteira, unida à uma outra porção inteira de alguém, conviver é olhar microscopicamente o outro, isso vai muito além da toalha molhada na cama, da roupa fora do lugar... Casar é ver que as certezas serão dissolvidas, é entender que a paixão não vai sustentar por muito tempo alguém diferente de nós, em coisas tão metódicas talvez...

            Enquanto a paixão diz para sempre, o olhar de perto decide viver o infinito enquanto dure, enquanto a paixão se alimenta de declarações estrondosas, o conviver é construído em olhares cuidadosos, de voltar apesar do que viu, de entender que a responsabilidade de ser feliz, é sua e não do outro, pra variar é uma decisão... Sim como escolher ou não se casar apesar do que viu, escolher ou não abrir a porta sem reservas e convidar o outro a te olhar de perto...

             Por fim, não é que Saramago estava certo, Se Romeu tivesse olhos de águia talvez ele se assustaria com o que veria em Julieta, pois amar e conviver está muito além da superficialidade dos “para sempre” tão tolos que buscamos nos contos de fadas, pois amar é lutar sem tornar a convivência o campo de batalha contra o outro, é lutar para manter-se decidindo voltar, decidindo amar apesar dos defeitos, decidindo escolher o que fazer com o que vimos, decidir não jogar na cara a toalha molhada na cama e a falta de ação, de vontade e tantos outras coisas... Se casar é acima de todas as coisas Decidir entender que foi você quem escolheu os defeitos da pessoa que você tem do lado... Pois quando não desejar voltar... terá chegado a fim....

sábado, 24 de setembro de 2016

Uma vida validada pela morte

Os dias estão passando rápido demais, e parece que isso se torna imperceptível aos nossos olhos humanos, esta semana, quarta feira para ser mais exata, fez 2 anos da morte do meu irmão, do meu jeito eu senti isso, mas ao mesmo tempo essa perda sempre esteve muito bem resolvida para mim, e não me envergonho em dizer que precisei de ajuda profissional para entender o quando isso estava resolvido para mim.

Não sei dizer exatamente quando o luto acabou, nem mesmo se ele acabou, mas sei dizer que esses dois anos foram de entender detalhadamente o cuidado do Deus que me fez, me tem e me guia, notei claramente que mudei, em pontos para melhor em outros nem tanto...

Percebi realmente com quem contar, quem chamar de amigo, pra quem além de Deus chorar, como também entendi que há momentos em que meus amigos não poderão me entender ou ajudar. Setembro se tornou um mês ambíguo, tênue, um mês de alegrar e sofrer um pouquinho por motivos distintos. Inicialmente eu sofria por ser setembro o mês em que nasci, o mês em que meu irmão nasceu e o mês em que ele nos deixou. Não entendia muita coisa na verdade, mas notei no primeiro ano o quanto fui cercada de cuidados.

Esta semana uma amiga que conhece alguns dos meus dilemas de filha mais velha que luta para mostrar aos pais que agora é a única que está aqui, me mandou um texto que me deixou convicta de algumas coisas, o texto diz:

“Ser humano é estranho.... Briga com os vivos e leva flores para os mortos; Lançam os vivos na sarjeta e pedem um “bom lugar para os mortos”; Se afastam dos vivos e se agarram desesperados quando estes morrem; Fica anos sem conversar com um vivo e se desculpa, e faz homenagem quando este morre. Crítica, fala mal, ofende o vivo, mas o santifica quando este morre; Não liga, não abraça, não se importam com os vivos, mas se autoflagelam quando estes morrem... Aos olhos cegos do homem o valor do ser humano está na sua morte e não na sua vida.”

Esse texto trouxe a minha mente uma música bem conhecida: Gostava tanto de você, engraçado como somos pretensiosos quando a morte está em jogo, no simples fato de nos acabarmos quando ela chega em nossa tenda, oramos por cura e sim devemos orar, o problema está no quão mesquinhos nos tornamos quando tentamos fazer de Deus o nosso Senhor, ele está ali para nos servir e pronto pois nosso milagre é urgente, repetindo devemos sim orar, mas onde colocamos o “seja feita tua vontade” que Jesus nos ensinou a orar?

A morte pesa por protelarmos tudo, por sermos idiotas demais para passar por cima de um ego que quer ferir, mas que não sabe ser ferido, por preocuparmos- nos mais com quem tem razão, e esperarmos perder para reconhecer falhas em nós, precisamos que a morte chegue para termos belas palavras sobre quem não mais está aqui para ouvi-las, e assim a vida de quem foi passa a ter valor quando ele já não é necessário...

E assim fazemos as pessoas viverem em sua morte, o amor não dedicado em sua vida, a visita que não foi feita em vida se torna constantes, esquecemos porém que os túmulos não guardam nossas emoções, não mensuram nosso amor pois ele já não faz sentido algum.... Somos doentes, e nos mantemos incapazes de entender que é o significado de entendermos que a morte do outro é momento de cura para nós, eu acredito que a morte do meu irmão, por quem tanto orei não é um fracasso, mas uma cura na minha arrogância, na minha prepotência, na minha individualidade, pois tenho decido diariamente deixar que o sepulcro me fale, não do que me falta, não do que não está mais aqui, não da perda que tive ou do quanto sofri com ela, das lagrimas no meu lençol...

Deixei a morte do meu irmão me ensinar que a dor faz parte do cultivo da fé que abracei pois, também ter sido por Cristo abraçada, deixo o sepulcro me falar do valor do agora, deixo o tumulo que poucas vezes me visitei me lembrar que as flores que quero e tenho que oferecer devem ser feitas em vida, não adianta dizer “gostava tanto de você” a quem não pode ouvir...

Por quê não amar hoje? Por quê não perdoar agora? Por quê não visitar e ligar enquanto se pode construir memorias para contar antes de quem amamos partir????


Perdi o medo de ser clichê com a morte do meu irmão, pois vivenciei nas incontáveis madrugadas em que era eu e uma presença gostosa me recordando o quanto fora bom tudo que vive, trazer a memória o que me enche de esperança: AINDA QUE MORTO VIVERÁ... (João 11:26)

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Você não se veste como crente

Uma das vantagens de ser uma pessoa muito analítica e observadora, é o quanto algumas coisas na rotina das pessoas podem chamar nossa atenção.


A grande vantagem e ao mesmo tempo desvantagem de ser uma pessoa crítica, é o quanto podemos pensar, discordar, concordar e seja lá o que mais podemos fazer com o que vimos e ouvimos....


Meu trabalho, fica bem próximo à uma escola, então ouço algumas conversas de pais, avos e demais enquanto levam ou buscam as crianças na escola, hoje pela manhã não foi diferente.
Uma mãe, literalmente brigava com sua filha dizendo: "você odeia que eu fale mas não se veste como crente."  Eu é claro liguei meu alerta, olhei para a criança que aparentava ter 11 anos, ela estava de calça jeans, a camisa de uniforme da escola e uma jaqueta de frio, calçando uma bota...

A criança não disse nada, até porque, pelo tom de voz da mãe se ela dissesse algo, apanharia ali mesmo, no meio da rua...
Se isso me fez pensar? Anham... Então vamos ao dicionário?

CRENTE: Significado segundo Aurélio

1. Que crê.

2. Que tem fé religiosa.
3. Pessoa que crê em algo.
4. Pessoa que segue uma religião.
5. Pessoa que acredita facilmente em alguma coisa ou em alguém.


Cristão: Significado segundo Aurélio
1.  Aquele que professa a religião de Cristo.

2. Que professa o cristianismo ou lhe é relativo


Nada satisfeita, fui buscar na Bíblia o que eram vestes femininas e veste masculinas, e acreditem NÃO HÁ ESPECIFICAÇÕES.                                                   No Éden, Adão e Eva estavam nus até pecarem e se cobrirem, com pele de animais, no que pareciam vestidos.
Mas para os sacerdotes Deus faz duas exigências:


1. O sacerdote não subiria degraus para que sua nudez não fosse exposta. (Êxodo 20:26)
2. O sacerdote usaria calções por baixo da túnica e o mesmo deveria ir da cintura às coxas.  (Êxodo 28: 42)


Mas e para as mulheres?

Em Deuteronômio 22:5 Deus diz que homem não podia vestir ROUPA igual a de mulher é nem mulher roupa igual a de homem, logo somos levados a crer que algo deve ser sim diferente, mas o que especificamente não temos....

 Em 1 Coríntios 11:14-15, Paulo nos diz que para o homem é desonra ter  cabelos compridos, mas que para mulher Ele foi dado  como  uma  glória.           Em 1 Timóteo 2: 9-10, o mesmo Paulo que escreveu sobre os cabelos as igrejas de Coríntios, diz agora a Timóteo a quem ele tinha por discípulo e filho na fé escreve:
 "Da mesma sorte que as mulheres, em trajes DECENTES, se ataviem com MODÉSTIA e BOM SENSO, NÃO SE ADORNANDO COM TRANÇAS, NEM COM PÉROLAS E NEM COM ROUPAS CARAS.”

Em 1 Pedro 3: 2-5 lemos: "Observando a conduta honesta e respeitosa de vocês. A beleza de vocês não deve estar nos enfeites, como cabelos trançados, joias de fino ouro ou roupas finas. Ao contrário, esteja no seu interior, que não perece, beleza demostrada num espírito dócil e tranquilo, pois isso é de grande valor para Deus.  Era assim que também costumavam a adornar-se as santas mulheres do passado, que colocavam sua esperança em Deus elas se sujeitavam cada uma ao seu marido.”
Então...

       Vemos claramente que apesar de falarem de formas diferentes, Pedro e Paulo aconselharam as mulheres a olharem para uma mesma coisa, apenas O QUE ELAS TINHAM NO SEU INTERIOR. Aliás não foi Deus que primeiramente disse a Samuel para não atentar à aparência quando o mesmo foi ungir Davi a rei?
  
       À modéstia, não está na roupa! Nunca esteve, tão pouco estará. Ela está no coração, e se no coração estivermos errados uma  roupa de  "crente" não fara sentido algum,  se no coração tentamos aparecer mais  do que quem merece a glória, estará errado do mesmo modo.


       Como alguém que está no altar algumas vezes, como alguém que ministra a palavra, decidi há um bom tempo, que quando eu estiver, no altar eu estarei vestida da forma mais simples que puder, não quero que as pessoas olhem pra mim e vejam a mim, mas que me olhem e vejam o Cristo  redentor, gracioso e libertador que estou pregando.



        O que não  entra na minha cabeça, é essa diferença que a igreja indivíduo tenta criar entre a roupa crista e do mundo,  mas é simples  falar que  mulheres não podem usar  calças e  ostentarem vestidos que deixam todos olhando.


            Mas espera aí, Paulo e Pedro disseram sobre roupas caras não é mesmo?
ENTÃO CALÇA É PECADO, MAS VESTIDO QUE FAZ O MARIDO DA IRMÃ TE OLHAR E PECAR NÃO, BELEZA... Paulo e Pedro que estavam errados...

O mundo cristão, precisa entender que   a Cruz nos fez filhos, independente da roupa que vamos vestir, Paulo pediu decência, ordem e modéstia, logo cabe a cada qual cuidar de si, mas o que temos visto é envenenados em trajes "Santos" excluírem SANTOS E SANTAS DE CALÇA JEANS...

Temos visto crentes arrotando santidade e arrogância contrariando à beleza interior, com a qual Deus está interessado, porém minha oração, meu desejo é que mais pessoas descubram o ser maltrapilho que há em si, antes de julgar quem Deus escolhe amar, se Dele, por e para Ele são todas as coisas, que vejamos santos de calça Jeans derramarem aos pés Dele a adoração que ele merece, que lhe é devida, que possamos aprender com aquela mulher do vaso de alabastro, que somos mendigos rendidos a um amor que é maior do que tudo.

E que possamos sim corrigir e ensinar as pessoas, não no que elas devem vestir, mas em como as mesmas podem se portar, modéstia é vista no portar e não no vestir. Que no lugar de santificarmos roupas nos esforcemos em ter um espírito conduzido pelo ESPÍRITO SANTO, que refreemos  a língua criando um domínio próprio invejável.

Que como igreja indivíduo, possamos aprender que a igreja instituição é mantida, cuidada e salva pela graça, pelo simples fato de que Deus nos escolher nos acolhe para e por nós amar…


         Crente que critica crente por não vestir se como crente, não entendeu ainda o que é ser filha amada, apesar de quem se é, e do que se faz, não entendeu nadinha sobre a libertação oriunda da cruz.

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Então 2.6...

Foto mais marcante da chegada dos 26.
Fazer 2.6 pode não ser o MELHOR aniversário da minha vida, mas é sem dúvida o mais lindo, o que MAIS fui surpreendida.
Então um menino loiro chega na minha casa gritando: -titia, titia abre é seu parabéns, "escondendo" atrás de si, um cartão e alguns balões e dizendo: "Titia não tem nada atrás de mim", seguido de um bolo delicioso, uma orquídea tragos pela mamãe e pela vovó e mais balões com o Davizinho...

         Após o nascimento dos Isaque e do Davi entendi o que é o amor incondicional de Deus, a Millena me fez tia, me permite ser tia, temos uma amizade tão forte e bonita que não demorou muito para que ela se tornasse a irmã que não tive, eu amo como posso corujar os meninos, amo cada momento com eles, amo o riso que eles me arrancam, amo quem eles fazem de mim...

Eu já era louca em meus amigos, sempre fui parceira, buscando estar ali quando eles precisavam, mas ver a Millena se tornar mãe e me fazer tia me fez querer ser melhor que antes...
  Hoje posso dizer que sou MELHOR que antes, sou mais paciente, meu olhar tem um brilho diferente e entendi exatamente o porquê amar é   entrar no tempo do outro deixando claro o quanto o outro te muda apesar da inutilidade do outro e minha também.

Cada passar de ano, a cada ano que se inicia pra mim descubro o quanto ainda tenho muito à aprender, eu não sei o que há pra vir e ver, não sei qual é a vontade de Deus pra minha vida, mas sei o que não quero vir a tornar me, sei que quero manter os olhos brilhando, quero poder contar com os amigos que tenho, quero ter força nos dias difíceis que são inevitáveis, quero escolher voltar para todos os que amo um dia após o outro. E ser capaz de reconhecer os cuidados de Deus nas pequenas coisas.

Quero que o tempo passe mas que eu consiga manter na alma, os momentos de criança e voltar a sonhar, mesmo que pareça surreal e distante.... Quero continuar sendo a melhor tia, a melhor amiga... a melhor Wanessa que eu puder ser,

Se espero algo dos 26? Sim... Apenas vive-lo dia após dia da melhor e mais intensa  forma que puder....   Quero ter companhia para criar momentos e memorias. O resto vamos nos encarregando de dar jeito.             

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Setembro se prepara pra nascer

Fechou agosto e setembro se prepara pra nascer envelheço sem perceber.
Me perco nas memórias que construo agora, para contar a filhos que nem sei se vou ter em um entardecer.

Já me senti usada, traída, abandonada...
Mas me esqueço e nem sempre é sem querer...
É que setembro já se prepara pra nascer!

Conto os dias para não perder as contas que tenho para pagar, acordo cedo para o trabalho que está chato, mas... Sei lá... Tenho contas a pagar. 

Sinto agora, mais saudades das pessoas queridas que deste mundo partiram para em DEUS descansar. Lembro do cheiro de chá de canela na casa da avó e choro. Ela não está mais lá...

Os anos passam a idade vem, em dias que cada vez parecem menores.
 Acrescento dias aos meus anos ou seria anos aos meus dias?

Se enfraqueço me reforço no sorriso de duas crianças que decidi como tia amar, 
Aprendo sobre a esperança na espera de uma outra criança que vai chegar para minha irmã amiga alegrar.
Aprendendo na gestação dela o mistério belo da vida, de longe a grávida mais linda, e de perto também, a me ensinar o quanto faz bem escolher alguém amar.

 Fechou abril, logo é setembro...
Será que dá pra parar o tempo? Será que dá pra retroceder? 
Conto à história que o tempo amarrota, sou o hiato em quem Deus tem seu prazer.

Vivo de graça, a graça sobre a graça, e me torno incapaz de ignorar o amor, que me faz querer melhor ser...

Sigo sendo roda gigante, que não para pra ninguém descer.  
Sigo sendo a roda que gira em altos e baixos à aprender... 

Responsabilidade de adulto e alma de criança aprendendo a amar o hiato que sou. 
Escalando janelas para melhor escutar a voz de Deus no vento o meu nome a chamar...
Ele me chama por meu nome é diz que comigo sempre está.

Passa julho, aí Deus meu setembro logo vai chegar...
Descubro necessidade de reformar a casa que sou. 
Conserto a janela da minha alma e insisto em não contar segredos guardados, que é melhor nem lembrar...
Nas pedras que me atiraram acho a certeza que posso sobreviver aos dias mais difíceis, se tão somente crer.

Sombrios dias... Será outono ou inverno a chegar?
Me torno exigente e perco muito, se valorizo o passageiro como não vejo o tempo passar?
Assim vou perdendo o horário, sem sequer alimentar o que a alma vive à almejar...

Chegou setembro!
Envelheço então, ouvindo sempre a mesma canção.
Vida curta história longa, guardando na memória o que não quero esquecer...

Poucos amigos, mas quem se importa?
Quem é de verdade fica pra te ver crescer, quem é de verdade escolhe te amar a cada envelhecer, envelhecendo junto com você.

É já chegou setembro e descubro a vida lavando o que o tempo amarrota no vai e vem.
Dias azuis e vermelhos, leves... complexos... simples... Iguais... 
Gritam pra mim, que sou o que escolho e não o que a vida faz de mim...

O tempo vai passar eu sei, e que eu sempre possa crescer, que nunca pare de aprender, afinal é setembro e me sinto feliz em ENVELHECER, é setembro e a primavera é minha...