quarta-feira, 29 de março de 2017

Um Status de relacionamento não te define

Somos uma geração que gosta de ostentar, e isso é inquestionável, somos uma geração que gosta de se exibir nas redes sociais que por sinal são tantas que nem sei como tanta gente consegue alimentar tudo, levei um tempo para entender que o que mostro nem sempre é o que de fato sou, mas o que mostro faz  com que as pessoas me vejam de tal forma. E o que me preocupa é que essa necessidade de exposição tem chegado aos relacionamentos...

E os namoradinhos? Ele não quis ir pra cama contigo, pois ele é gay! Ninguém nunca viu ela com namorado, ela é lésbica certeza... Ah, mas no facebook dela não tem foto com nenhum cara, de duas uma ou ela tem rolo com cara casado ou é sapatão mesmo....

Oi? Para o mundo Deus que eu quero descer...
É incrível que nossa sociedade se incomode tanto com a liberdade sentimental que envolve a vida do outro, por mais que eu pense não consigo entender qual é o problema de viajar sozinho, ir ao cinema, a pizzaria sozinho, qual é o monstro de sete cabeças que assusta a sociedade no simples fato de aproveitarmos nossa própria companhia, qual o erro em não aceitar qualquer relação, quando a escolha de ter ou não alguém do lado deve vir de nós mesmos e não do que as pessoas julgam ser certo.

É eu sei que parece clichê, mas se relacionar devia ser mais seguir seu coração do que a opinião do povão, e é aqui que a liberdade começa quando nós não somos privados do direito de escolha pois não ficaremos livres da consequência delas, estava conversando com uma pessoa esta semana e acabei constatando que sou de outro planeta e fui esquecida aqui por um motivo qualquer, ele me disse que busca alguém para construir as coisas juntos, e fiquei pensando: Ta, mas esse construir vem  assim de imediato? Você bate o olho e pronto está lá de imediato e pronto, vamos casar pois os sonhos e vontades são os mesmos...
E vamos lá alterar o status do facebook e contar pra todo mundo o que Deus, fez por mim e mostrar pra um  monte de gente que questionou nossa solteirice que ela acabou e ala poderá então nos dar parabéns, como se ter alguém fosse uma meta inalcançável para alguns....
Acho sinceramente que ainda chegaremos aos tempos de encontrarmos alguém nos classificados dos jornais...

“Procura – se HOMEM para relacionamento sério, de preferência sem filhos, que trate bem a mãe ou que de preferência não tenha mãe, afinal sogra é um atraso de vida, que tenha corpo malhado, mas há nenhum problema se ele for um pouquinho gordinho.... Que goste de ler, afinal de contas nem só de corpinho se vive um relacionamento...”

Ahhh me poupem né... Qual o problema de não querer abri mão de algumas coisas? Qual o problema de gostar demais da minha liberdade? Qual o problema de não querer ir para o altar assim nos 5 minutos do primeiro tempo? Qual o problema de quem só quer transar e pronto, não precisa me ligar amanhã, não precisa mandar flores? Isso aí nenhum problema, não há nenhum problema pois um status não me define...

Ninguém é homossexual, apenas por não ser visto com ninguém, as pessoas não podem mais serem discretas, não podem mais querer preservar sua vida pessoal? Precisa mesmo fazer postagem no face a cada mês de namoro? Não, como cada um é diferente do outro as necessidades também podem variar, o que é fundamental pra um pode ser besteira pro outro e pronto, bola pra frente que o mundo não vai mudar por causa de ninguém não...

Fico aqui me perguntando quem foi o filho da mãe que colocou na cabeça da humanidade que todo mundo tem sonhos iguais? Quem foi que educou as pessoas para acharem que solteirice é sinônimo de derrota social e namorar é conquista para vocês darem parabéns? O mundo tem virado só status, ai vemos aquele relacionamentos mais sem futuro se arrastando com a barriga e aplaudimos afinal o casal é lindo pra sociedade.

Namorar ou ser casado só significa que você encontrou alguém que vale a pena tentar se reajustar, e pegar a sua parte completa e unir a parte completa dela e ambos serem felizes por fazer o outro feliz, significa que você está bancando seu desejo de querer alguém na sua vida. 
Para mim, não existe essa de escolher alguém, como uma grande amiga diz a gente não escolhe presente, e sim eu acredito que amar alguém é um presente que a vida se encarrega de trazer quando nos permitimos, quando estamos aptos para vivenciar, para cuidar sem prender, para ter sem aquele sentimento ridículo de posse que sai bloqueando todos os contatos que você não conhece das redes sociais do outro.

 O que me leva a outro fato, eu postei uma foto com minha sobrinha, onde ela dormia nos meus braços, o que eu ouvi de  “Ah  você leva jeito pra ser mãe”, quando discordei, a pessoa disse que toda mulher tem em si o instinto de ser mãe e eu discordo, acho que não se trata de nascer para aquilo, se trata de escolher ou não viver aquele momento e é simples assim, mas nós privamos o outro de fazer suas escolhas, nós queremos a todo custo implantar nossas “verdades” e “ razoes” como certas na vida do outro...


Temos que nos permitir? Sim, mas se o outro tem que nos convencer de qualquer coisa, isso já significa que ficar solteiro dará menos dor de cabeça, o que eu vejo é um tanto de gente carente achando que namorar é solução, não solução para carência é chocolate, o amor é raro e tem que ser com quem vale a pena aprender a equilibrar as coisas, famílias, amigos, series, e relacionamento, e isso só é possível quando proclamamos nossa liberdade para não ser preciso exigi-la.

sábado, 4 de março de 2017

A Vida É Trem-bala Parceiro

      Eu estava  aqui escutando a  música “Trem- bala” da Ana Villela e acabei viajando nas  verdades contidas nela, que fala tanto e tão sutilmente da fragilidade do nosso ser, para quem não sabe a Ana  Villela escreveu essa música após o avô dela  falar que estava  preocupado, pois os amigos dela não estavam mais indo a casa dela...

      E fiquei aqui lembrando de como não existe um meio de pensar na vida  sem lembrar-nos da morte ou de pensar na morte sem automaticamente ser remetido a vida.... E a cada instante me convenço mais de que, a vida e a morte são complementos de si...

        Trabalho há 5 anos em uma empresa funerária e não teve um dia destes 5 anos em que  eu não tenha  escutado coisas  do tipo “você não tem medo de trabalhar aqui não?”, “Você não tem medo de  ficar  aqui sozinha não?”, “Como você aguenta olhar para esse tanto de caixão?”, “Eu não conseguiria trabalhar aqui!”...

        O que as pessoas  não entendem é que a morte é a  certeza da vida tanto como  a vida é a certeza  da morte, mas nós ignoramos....
 Ignoramos os  recados, as certezas, momentos, ignoramos o tempo... Vamos boicotando aqui, protelando lá...  E de repente acaba, e quando acaba é que vamos falar do amor, do afeto e da administração...

        Em seu diário Anne Frank escreveu “Os mortos recebem mais flores que os vivos porque o remorso é mais  forte que a gratidão.” E querem saber o que me  encanta nessa frase? Que uma  menina de aproximadamente 15 anos que passou cerca de uma ano presa para sobreviver tenha percebido o que não enxergamos gozando de algumas  liberdades que insistimos em não  viver... Não bastando  Anne ainda diz uma  outra verdade  que ignoramos “As lembranças são mais importantes que os vestidos.”


         Somos  tolos esse é o grande ponto. Somos tolos, mas  jamais poderemos dizer que não fomos avisados... Sim fomos avisados, pelas músicas, pelas partidas inesperadas, repentinas, comoventes e tantos outros adjetivos possíveis e imagináveis....
Fomos avisados a cada segundo que alguém apenas o escorregou a tênue linha entre vida e a morte, mas  como assim não sabíamos que alguém iria embora e  por isso não demos o último beijo ou o último adeus???? Sim, sabíamos que aconteceria, porém não sabíamos quando... A questão é que  o “quando” é variável para cada indivíduo, a como a  Ana  Villela nos  lembrou “A vida é trem-bala parceiro e a gente é só passageiro esperando partir...”


          Sim, eu sei que o assunto é  maçante, porém é o que ninguém entende de forma real e  profunda... É só não entendemos pela  ausência das certeza de que  vivemos  como se  soubéssemos que íamos morrer, o tempo passa e sequer vemos até que é tarde  demais, tarde demais para falarmos o quanto é  como amávamos, admirávamos....

         E  porque desse assunto maçante? Sabe qual a  vantagem de  trabalhar em uma  Funerária? ( É acredita ele existe!) É que podemos  entender isso de perto, de dentro, com listas ampliadas que o desespero da perda muitas vezes é remorso pelo que não foi feito, pelo amor  não entregue... Nossa humanidade nos faz ter saudades e isso é fato, mas é essa mesma  humanidade que nos diz que devíamos fazer mais, mais que cantar “gostava tanto de  você”, precisamos aprender a conjugar o verbo no tempo em que temos... O agora...

      Estar onde estou me fez entender a morte e foi caminhando bem na margem desse momento, ajudando quem passa por ele, quando eu mesma passava por ele que entendi a importância de dar o que tenho, sem mas, sem medo, sem reserva ou receio... Foi só nesse trabalho e nas coisas que vi, nas flores que cuidadosamente coloquei em cada corpo, nas lágrimas que por Deus e para Deus enxuguei e  orei, que eu entendi o que hoje  é canção “A vida é trem-bala parceiro e a gente é só passageiro esperando partir.”

     Agora eu pergunto a você...
E se Deus te desse só o amanhã, para sentir o que nunca sentiu, para ver o que nunca viu, para uma  última oração... Qual seria sua última oração? O que sentiria? Seja mais que uma razão pela qual viver, tenha uma causa pela qual morrer!  Se é preciso intensidade aqui seja intensamente amor, intensamente verdade, intensamente alguém que viveu como quem soube que iria morrer, para que ao morrer as pessoas saibam que  você morreu como quem soube  viver