segunda-feira, 25 de julho de 2016

Carta para minha avó que partiu...

                                                                                            Oi vovó...


   Ontem fui dormir e hoje acordei com um único pensamento: daqui a pouco já serão 365 dias sem você, sem ouvir a tua voz, sem ouvir a tua risada... Mas sabe vó, notei que minha risada me remete tanto à tua. Mas a tua voz... Ah a tua voz.... como eu sinto falta dela...
 Sabe  o que percebi também vovó? Percebi que esse é o primeiro ano  de todos os que ainda vão vir, que não terei sua ligação no meu aniversário, com as mesma simples palavras de sempre: "Preta, parabéns pelo seu dia eu te amo. Promete nunca se esquecer disso?"

   Promessas... RS..  Ah vovó...  Talvez, essa seja a promessa mais dolorosa e confusa que eu tenha te feito em toda minha vida, pois é essa promessa que me faz sentir na pele a indescritível sensação de sorrir entre lágrimas..
   Sorrir porque sei que para você fui e dei o melhor de mim, sorrir pelo orgulho em saber que sou parte de você, tenho o seu sangue, a tua cor e a tua cara. Por saber que te enchi de orgulho também, sorrir por saber que você me deixou a paz como herança e por carregar de você a melhor das lembranças, mas talvez seja o egoísmo por ainda sentir que você está Lá em meio a tudo que me falta, que faça as lágrimas virem aos olhos.

   Eu sei vó, sei que não posso mais te abraçar, sei que não vai ler essa carta, sei que não vai me ligar, sei que não poderei mais te ligar em meio a meus desesperos... E por falar em ligar vó... 
Antes de te escrever hoje pela manhã, fiquei olhando o teu número na lista de contatos do meu celular, enquanto notava o quanto nos faz falta algumas poucas palavras, lembrei daquelas nossas conversas clichês de que tudo vai dar certo, lembrei também dos conselhos para ouvir o meu coração, pois é ele quem realiza o sonho e dissipa as dores da alma além das dificuldades da vida.

 MAS COMO FAZER ISSO VOVÓ? Como ouvir meu coração se ele fala tão confusamente? 
QUE COISA FEIA VÓ, NÃO SE APLICA PROVA SEM EXPLICAR TODA À MATÉRIA...  

    Parece loucura, e não me importo que seja, mas ainda sinto cheiro de chá de canela que me deixavas no beijo de bom dia, ainda lembro de me obrigar a ir na casa do papai quando eu só queria ficar na sua para brigar com você pelo sofá. Ainda me lembro de você me ligar no aniversário do papai e falar: "Preta eu sei que seu pai não te ligou no seu aniversário, mas ensina ele como é que se faz..."

  Ah vovozinha, como queria ver em mim a força que você via, ou como queria ter em mim um terço da força que você tinha! 

       Sabe as lágrimas nos olhos vó? Elas não são por remorso ou arrependimento, elas são por gratidão  pois mesmo sabendo que fomos roubadas de uma convivência mais próximas nos meus 25 anos, consigo ser grata pelo vínculo que tínhamos apesar da distância, pelo que construímos com o nosso amor e com nossa forma de nos amarmos...

       Sim vovó, eu sou grata e pelo seu testemunho de força na sua luta contra o câncer que tomou de mim, sou grata por nunca te ver reclamar,  sou grata por nunca te ver parar, por nunca te ver desistir. Você tinha fibra minha "veinha",(agora sem esforço posso me recordar do seu  VEI E SEU PASSADO MENINA)...
Lembro-me  ver você lavar roupa doente, lembro  de te ver acordar  de madrugada já doente para varrer as ruas, lembro que cozinhavas para toda família. Lembro e choro... Sim, eu lembro e choro. Choro porque a rosa que mais me ensinou disse adeus para mim.

       Agora, já em lágrimas, me pego pensando no que você sentiu quando eu nasci, em como eu te olhava ainda bebê a cada banho que me dava... Saber que os meus filhos não vão te conhecer me entristece vovó, mas ao olhar na parede do meu quarto seu retrato que ainda brilha vivo, retrato esse que eu te enjoei tanto pra tirar eu entendo o quanto eras minha e posso sim ser egoísta e não querer te dividir com eles....
    
    Daqui a poucos dias vozinha, já terá se passado um ano sem você, mas meu amor ainda é seu, e por incontáveis pares de dias é o sorriso que ganhei, assim que me viu chegar na sua casa, naquela que  seria a última sexta- feira da sua vida, que me faz levantar da cama manhã após manhã, é o que me mantém de pé quando preciso é já não tenho sua voz a me aconselhar...
  Hoje, me lembrei da viagem as pressas, viagem que não queria fazer, pois me assustava a possibilidade de como iria te ver, a possibilidade que cada vez mais parecia próxima de te perder,era devastador demais para mim uma vida sem você... E algumas vezes ainda é...

  Mas, acho que já é hora de parar de te escrever esta carta, pois meus olhos estão mais pequenos que o normal é meu rosto está ficando inchado e aprendi com você que trabalho não é lugar de chorar....
    ONDE QUER QUE ESTEJA, EU ESTOU COM SAUDADES...



                                                                                                Sua preta 
Wanessa Guimarães

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Obrigada por ler, Deus te abençoe grandemente