O maior vilão sou eu

Foto: http://pt.tubgit.com
    As vezes, o mundo caí ao nosso redor, as vezes alguns dias trazem consigo o cheiro de morte, existem dias cinzas independentemente de quão belos e coloridos eles estejam.
 Ontem o meio evangélico, se assustou com um suposto envolvimento de uma cantora com drogas, o namorado gravou um áudio e na "tentativa de ajudar" jogou na net, ou algo assim...

     Tentamos tanto pensar no que Jesus faria em nossos passos, que por vezes nos esquecemos de pensar em como Ele reagiria, até concordamos que a igreja é ou pelo menos deveria ser hospital, mas não aceitamos que os pacientes somos nós. Acredito que nós é quem damos destaques para os profetas a ponto de anularmos sua imperfeita humanidade, somos uma guerra constate entre o vilão e o mocinho que existe em nós, somos acusação bem mais que acolhimento.
 O livro de Lucas 12 versículos 47 e 48  diz que a quem muito é confiado muito será exigido, a quem muito foi dado mais ainda será cobrado, uma das coisas mais tensas em tentar diariamente se parecer com Cristo é a expectativa que as pessoas depositam em nós, estar a frente de algo é uma responsabilidade enorme, mas quando esse algo diz mais a respeito de alguém em quem acreditamos, quem somos passa a ser a única coisa vista.

   Acredito sinceramente que Deus permite, escândalos, no meio dos que são tidos como seus  filhos e mensageiros porque por vezes nos esquecemos que o poder Dele se aperfeiçoa justamente na nossa fraqueza, que enquanto estamos errando significa que ainda não estamos prontos e se não estamos prontos devemos nos alegrar por ainda dar tempo de sermos semelhantes a Ele.
   O problema é que temos nos preocupado mais em escolher um lado do que em parecermos com o dono da mensagem, bem de pertinho nosso lado bonzinho e podrinho se misturam, mas é mais fácil
fingir que não, é mais fácil julgarmos que reconhecer que também temos erro de estimação, difícil mesmo é olhar pra cruz e ver que nela Jesus refletia nossa corrupção, enquanto ali Ele devia ser apenas o símbolo mais claro do perdão.

    Todos nós iniciamos da morte, mas nossa necessidade de alimentarmos o ego, já não nos permite ver que nossas motivações a muito tempo estão erradas, e tornamos o mensageiro maior que a mensagem, e ficamos ali ávidos pelo cair, mas onde é que enfiamos as verdades de que o cair é do homem e o levantar é de Deus? Talvez e apenas talvez mesmo Deus permita escândalos para que possamos ver a cruz em nós, para vermos que a linha de frente também caí, que  ninguém devia esperar que Ele fosse selo de garantia de qualidade é perfeição, Jesus não é selo do INMETRO. Ele é apenas a certeza do perdão, a possibilidade do recomeçar, a certeza do amor a quem não presta mesmo.

  Uma das coisas que mais me encanta em Jesus, não é a capacidade que Ele tinha de fazer milagres, não é sua sabedoria, não é a cruz e sim sua capacidade de ver começos onde vemos fim, de olhar para nosso lixo e ainda assim ver alguém digno do seu amor, de chamar de casa, quem pouco tem a lhe oferecer, me surpreende essa capacidade que Jesus tinha de ser o artesão do pouco.
E se Ele que é Deus escolhe fazer do pouco que presta em nós o bastante para ele habitar, que necessidade é essa de julgarmos e e separamos o certo do errado, o digno do indigno? Baseados em quê escolhemos quem sim e quem não? Que necessidade é essa de vermos o erro do outro como meio de reforçar que há pessoas piores que nós, cometendo pecados maiores que os nossos? Onde é que colocamos o desconcertante amor de Deus que nos ensina quando não sabemos e que nos recorda quando esquecemos. Aquele amor que QUANDO NÃO SABEMOS COMPREENDER A VIDA É O AMOR DELE QUE NOS ENSINA A ANDAR....
 
     Porém, o que  me preocupa não  é o fato do desfalque/defeito, vício, deslize, queda, vício ou pecados  virem a  público, o que  me  preocupa é a crueldade  com que a  massa  cristã se  manifesta,  revelando assim o quanto nosso coração é vazio de tudo aquilo que Cristo ensinou, me  preocupa nossa  facilidade em julgar, nossa necessidade de colocar no outro expectativas nossas  esperando que eles sejam bonequinhos  vudus sempre prontos a agradar.

     Enquanto tomo meu chá, e leio o que saiu  ontem na  mídia sobre essa respectiva pessoa, percebo que somos urubus esperando a  carniça gospel  vir à tona, para entrarmos no papel de juízes, evidenciando nossa miserável situação de quem não se tocou ainda que o maior vilão do evangelho somos  nós mesmos, colocamos os  humanos profetas em pedestais para mais tarde evidenciarmos a misericórdia que nos falta.
   Então  me  peguei  pensando em desde quando tentar viver o evangelho  me imuniza  do erro e do cair?  Esperar  isso não  seria retirar da palavra a verdade  de que "tudo coopera para o nosso bem" de  alguma  forma? Onde foi que caímos? Quando foi que o olhar perdoador e cheio de misericórdia de  Deus, deixou de  ser  nosso alvo, aliás  será  mesmo que  Cristo tem sido nosso alvo? Se misericórdia e graça estão em nossas mesas, sobre nossas cabeças sendo a  causa  de não sermos  consumidos  será mesmo Cristo nosso alvo? É sério  que vamos  voltar à época em que as pessoas eram levadas a forca e mortas em praça  pública por seus erros? Sério que vamos ser  o retrocesso  da misericórdia do olhar  amoroso de Cristo? Expor  para o mundo é mesmo necessário? resolve o problema?
 
  Conheço  parte da  complexidade de  um usuário de drogas, não quero tomar partido de escolher  lado, não cabe a  igreja escolher um lado, cabe a nós  escolhermos uma postura. Escolhermos o melhor jeito de fazer a pessoa sentir a cura, na mesma intensidade com que seus pecados são  expostos. Cabe a cada cristão ser um intercessor e não um apontador de quem deveria estar no banco dos réus, cabe  a nós  enquanto  igrejas entendermos que não é com lanternas apontadas para as falhas que coisas  serão  resolvidas, se  Cristo é a luz é Ele quem devemos fazer ser  visto, são os caminhos alternativos para  o religar a Ele  que precisamos apontar, é o amor que transforma, o amor  que gera cura e que nós  escolhe a cada  instante apesar de quem somos...
E para levarmos esse amor, não  precisamos  ser  perfeitos, só precisamos  lembrar de  onde  fomos tirados..

"E mesmo estando no caminho
Eu posso me perder
A ponto de nem perceber
O bem que eu quero, não faço
O mal que não quero, faço e refaço" 
Entrega - Daniela  Araújo

Daniela eu sou a  igreja que escolhe  orar  por você!

Comentários

  1. E pura verdade que o povo evangélico fica o tempo todo torcendo para que o seu irmão caia em pecado para poder julgar ao invés de ajudar o irmão faz é afundar

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Obrigada por ler, Deus te abençoe grandemente

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