Arma e Resposta

        Me convenço diariamente de que Mateus estava certo quando disse que nos últimos dias o amor de muitos se esfriaria, MT 24.12, e acredite eu não estou me referindo ao amor vertical (nós e Deus), pelo menos não especificamente.  Me refiro ao amor horizontal (nós e nosso próximo), assim como me convenço diariamente que amor tem mais de liberdade do que de amarras, amar não é ser dono, mas sim um colaborador na vida do outro, pode parecer piegas, mas o amor caminha ao lado como quem segura as mãos, mas não impede o outro...

    Não impede o outro de ser ele, de ter e ser feito de singulares diferenças, de se abrir, de se expor, de falar a verdade na cara, de não ter que viver medindo cada palavra dita.  O amor não tem medo de ferir, não tem medo de tempestades de verdades, pois lá no fundo e bem lá no fundo ele sabe que o torna verdadeiro o amor é o fato, o simples fato de permanecer e mesmo ferido lutar, mesmo ferido perdoar, mesmo ferido entender que o amor brota justamente das sãs imperfeições, dos ajustes, das brigas e discussões.

Já se perguntou porque o amor de Cristo o levou pra Cruz? Ou apenas eu e minha mente fértil, visual e inquieta já se questionou o porquê de morrer para demonstrar amor?  Não entendia a grandeza, largura e profundidade deste amor, mas um dia compreendi que Jesus queria ensinar que o amor só é amor quando o benefício do outro vem antes do benefício próprio,  que lá na CRUZ ele provou que só podemos dizer que AMAMOS ALGUÉM após já termos DITO  EU PERDOO você,  mas também esqueço... Perdoar e não esquecer nunca foi perdão,  nem Nunca será... Não estou falando que teremos amnésia Ou que anularemos o erro ou coisa assim, mas se a dor de lembrar for maior que a aprendizagem que a situação trouxe, algo ainda está fora do alcance da cura.

     Nossas mazelas, falhas, deslizes e erros trazem consigo generosas porções de crescimento, só precisamos reajustar as lentes mas, temos está mania de sempre olhar por outro e ver apenas o mal que e ele nos fez, como se não houvesse nesta mesma pessoa parcelas de coisas boas e admiráveis, a verdade é que somos doentes e nossos dodoizinhos,  parecem nos cegar para o fato de que nossa humanidade também fere, agride e machuca a humanidade do outro, mas se o amor de Cristo o levou a Cruz e da Cruz ele foi até a morte, por que desistimos do outro? Porque nós afastamos quando notamos as imperfeições se Cristo, se o próprio Cristo, sabendo de cada uma das imperfeições de cada pessoa existentes no universo ainda morreu? E morreu por voluntariedade! Parece alto demais o preço que se paga por amar alguém neh? Mas são mesmo altos os ganhos em ver no sorriso do outro, na felicidade incontida e saber que foi o seu amor e seu jeito de amar que causou tal felicidade...

     Em um mundo dotado de relacionamentos superficiais, me encanta quem consegue saber quem o outro é, e ainda conhecendo o outro em seus extremos é capaz de desistir das exigências, deixar as insinuações e projeções do outro caírem olhar para no que há de pior, feio, errado e ter no peito a certeza de você não seria metade do ser humano que é de não fosse a forma imperfeita do outro.

 Na cruz, o Cristo mostrou que não importava o sacrifício que seria feito, não importava que fosse a morte o preço, louvável é morrer pra que o outro cresça, nobre é fazer com que diariamente e a cada segundo pessoas se recordem do preço pelo amor... Pelo preço de entender que só somos melhores quando danos ao outro o direto de crescer em nós,  por nós e através de nós,  se o amor lança fora o medo porque ainda tememos amar? Se preocupamos tanto com o que Jesus faria em nossos passos porque o Órfão, a viúva, o idoso e quem passam fome não tem nome?

      Nosso amor é amor de político em campanha, milhões de promessas até obtermos o necessário para nos promover, até obtemos algo que sacia nossa sede, após isso nossos amores não passam de promessas de carnaval, e como dificilmente amores de verões resistem aos invernos, descobrimos que nunca amamos as pessoas por quem elas são. É mais fácil sumir da vida dela, que lutar contra nosso eu que se prioriza.... 

       Precisamos entender que o amor tanto é uma Arma, como também é uma Resposta.
 O amor como arma é avanço, mas o amor como resposta é solução para o que parece sem jeito, o amor como arma fere, como resposta é o fim para as fomes do mundo, como arma o amor pode agredir, mas como resposta pode silenciar uma guerra... o amor como arma e divisão, como resposta, às bombas nucleares são apenas bombinhas de São João, o amor como arma te leva a ferir, como resposta te coloca diante do Sacrifício da Cruz…

Então o que você escolhe Arma ou Resposta? Só se lembre que o esfriamento do amor entre as pessoas é fruto do esfriamento do nosso amor por Deus.

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