Sinto falta e a saudades vai dizer....

Hoje a saudades de você bateu mais forte, no sono que não tive, nesta noite em que eu não dormi te procurei pela casa, a luz fraca do abajur na cabeceira da minha cama parecia entender perfeitamente minha ausência de força tão cheia de lágrimas, ela tremia como se fosse regida pela minha dificuldade de respirar...
Eu não te encontrei, na verdade sei que essa procura sempre terá o mesmo fim e não sei bem porque a faço, mas parece que você ainda está em minha casa, ou será ela é que está tão repleta de você? No amassado da porta do quarto, na sujeira de seus dedos nos interruptores de cada cômodo, no verde horrível e apagado das pinturas nas paredes, no cheiro dos seus cabelos sempre lavados que ainda esta lá cada vez que chego, no C
harlie Brown que insiste em não ser o senhor do tempo apesar de saber que vai chover...
Essa noite ali onde era sua cama, mas que hoje meu violão insiste em chamar de lar, ali as altas e tantas da madrugada, brincando de falar comigo notei quão solitária me tornei, e que envelheci 10 anos ou mais, meus medos mais ocultos hoje são a realidade mais temida porém vivida dia após dia, entre risos e lágrimas, desânimo e alegrias superficiais....
E no jardim a ausência de tons vibrantes que a vida costumava, ter entendi que talvez não seja a casa que me lembre você, mas meu DNA, o sangue O- igual ao teu que corre em minhas veias, minha herança genética, ou o nome dos meus pais no meu RG ou ainda o fato de que você era mais meu que eu jamais pudesse perceber...
A saudade que já não fala e agora grita, que me faz temer o futuro, e rir do que sou, essa mesma que dilacera golpes na armadura que eu costumava usar...
Vejo que me perdi em meio a força que me era exigida, e que lutar apenas por mim é um motivo muito banal para me reerguer...
Ah essa saudade dos teus sorrisos, dos teus olhos, do som da voz, das brigas por sua embriaguez e seu jeito louco e aventureiro, como se conhecesse a fundo a brevidade da vida, a curta fração de segundos que teimamos em chamar de existência.... Ah saudade que me faz entender a falsidade do "pra sempre", que sempre acaba, do apego ao que a cada minuto se vai, dos amores não verdadeiramente amados e por vezes não confessado...
Sou o que temia ser, uma solitária tentando se reerguer e aceitar que todo amor só e verdadeiro se manter vivo quem se vai pra não mais voltar, que mantém acessa a esperança de poder voltar a sonhar e viver o que há para ser vivido, de permitir não reter as lágrimas que ousarem correr... Só sei que sinto tua falta e a saudades vai dizer....

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