A leveza de deixar ir quem não quer ficar...

 

  Um dos benefícios de fazer terapia, é a forma com que você aprende a se enxergar mais forte com suas vontades, verdades, medos, qualidades e desfalques... A forma com que você entende que as coisas devem estar acima de tudo claras e bem alicerçadas para você, pois deste modo a influência do outro em você será apenas um acrescimo ao que já é seu. Sem te obrigar a nada...

Sempre tive problemas com amizades, eu era amiga, tentava  e me empenhava em dar o meu melhor, em estar ali para quando fosse necessário e com o tempo e minha mania de sinceridade extrema alguns amigos simplesmente sumiam, por vezes de ímpeto e muitas das outras aos poquinhos, como se me preparassem para a saída definitiva, e como alguém que vive em extremos meus sofrimentos eram gigantes, me culpava, corria atrás, pedia perdão incontáveis vezes, até que desistia, simplesmente desistia de correr atrás, eu não me canso das pessoas, eu desisto de tentar mostrar a elas motivos para permanecer, levei um tempo para entender que não dá para manter na nossa vida quem não tem interesse em fazer parte dela!

   Lev Semenovithc Vygostsky, ou Lev Vygostsky nos diz que  "ATRAVÉS DOS OUTROS, NOS TORNAMOS NÓS MESMOS."  Sim concordo com ele, não apenas por ser ele um dos grandes  pensadores de sua época, ou por ser dele a ideia de que o desenvolvimento intelectual das crianças ocorre em função das interações sociais e condições de vida, mas porque é bem claro que as interações com as pessoas são como lembretes do que queremos ou não ser, em um contexto bíblico, recordo- me de Davi e Saul, e de como Deus deixa claro que Ele permite Saul na vida de Davi, para que Davi não se torne um Saul, mas de mesmo modo, usa um Jhonatas na vida de Davi para  que Ambos aprendam bem mais sobre alianças do que sobre amizade em si.

      Porém,  aprendi que existe um tempo para tudo, e que as coisas e pessoas certas no tempo errado, faz- se a coisa errada, é como   ciclos tudo em Deus, vez ou outra precisamos aprender a parar e avaliar o que ainda acrescenta e o que já não mais o faz, e separar um do outro e seguir apenas com o que ainda quer acrescentar....

 Aprendi que não basta apenas olharmos para as pessoas de forma rápida, automática e superficial, pois se assim o fizermos nunca seremos capazes de capturar o que há por trás da armadura, da defesa, do defeito intolerável, do "difícil" de cada pessoa... A verdade é que existe um ser frágil por trás de cada pessoa, seja ela quão forte e resiliente ela possa parecer, todos temos medo, todos temos um calcanhar de Aquiles, hora ou outra a fragilidade vem à tona, e é aqui, exatamente aqui que devemos escolher  o que fazer com que olhamos e como olhamos...

     Se olharmos para o outro com mais amor na investigação do conhecer, ainda que nos assustemos, com o que encontramos, poderemos decidir o que fazer o com o que vimos, parece um bicho de sete cabeças eu sei, mas deixa de ser quando temos também o conhecimento de quão  complexos somos, e a partir desta compreensão eu pude entender que não preciso insistir para que as pessoas permaneçam em minha vida, amor implorando é esmola, migalhas, e migalhas só satisfaz formiga, e definitivamente humanos formigas são uma lástima...

 Sim, sei que devemos lutar, mas até que ponto? De que vale lutar por alguém que decidiu partir, por livre e leve vontade própria? Não é errado desejar melhorias, errado né não aceitar que quando as reservas de um camelo se acaba e ele tem sede ou ele se deitará por cansaço ou buscará renovar suas reservas de água se energia e para isso terá que partir e deixar algo, errado  se culpar pela decisão do outro de não mais nos olhar de perto, com amor e aceitação. 

     Os relacionamentos nos melhoram e isto é fato, mas eles também podem nos amargar. O que podemos fazer sobre isso, sobre quem vai e quem fica? Não cristalizar, entender que é leve permitir que quem nunca fez muita questão de  ficar  vá de uma vez por todas, sem garantia alguma de porta aberta para volta, entender que aliança e permanecer mesmo com a oportunidade de correr, ter em mente que que  "relacionamentos são gaiolas, e precisamos ter alimento nelas para permanecermos, se não achamos devemos sim ir em busca de outras gaiolas" (fala  insistente da minha psicologa linda e educada rs).

    O problema não é apenas você e o alimento que oferece, com olhos de águia aprendemos bem mais sobre quem sai do que sobre quem fica, então sem neuras, vamos entender que as pessoas são insaciáveis com o que possuem, que mudam de gaiola como quem respira, que muitas são incapazes de lutar para amar alguém , cujos defeitos e qualidades a melhoram e vai entender a leveza que é deixar a porta aberta para que novas pessoas se alimentem do que oferecemos e que isso seja o suficiente para elas voltarem sem precisar de holofortes e convites formais para permanecer.... QUEM NOS MERECE VOLTA A CADA AMANHECER...





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