Descendo da árvore

“E quando Jesus chegou àquele lugar, olhando para cima, viu-o e disse-lhe: Zaqueu, desce depressa, porque hoje me convém pousar em tua casa. E, apressando-se, desceu, e recebeu-o alegremente., vendo todos isto, murmuravam, dizendo que entrara para ser hóspede de um homem pecador. E, levantando-se Zaqueu, disse ao Senhor: Senhor, eis que eu dou aos pobres metade dos meus bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguém, o restituo quadruplicado. E disse-lhe Jesus: Hoje veio a salvação a esta casa, pois também este é filho de Abraão. Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido.” Lucas 19:5-10

Uma das coisas prejudiciais na RELIGIÃO, e me refiro aos paradigmas que criamos de Deus, do muito barulho, do único grito de uma multidão de superficialidade, a religião do espetáculo e holofotes é que criamos caricaturas de um Deus, que se vinga que exige bons comportamentos e ações, de temporalidade e não de presença real... Uma intimidade de encontros, cheia porém de desencontros, de escassez de luz...

Zaqueu me encanta, e logo lança por terra o espetáculo de minha paixão temporária do burburinho, Zaqueu e sua pequenez reconhecida, me mostra o quanto é importante tirar a pessoa da idealidade esperada, porém fantasiosa, e desmonta minhas orações que por vezes parecem ordens, a quem devo obediência...

 Enquanto subir na árvore me fala da minha projeção de santidade e perfeição ideal,e subir na arvore é evitar o encontro, descer da árvore é ascender a luz na mina escura e funda, para visualizar o tesouro, é um passo , um convite pra tirar preconceitos... é amar a intimidade do encontro, é olhar nos olhos e se permitir ser encontrado, é a despretensão de fecundar a modificação de não saber que a consolação está no olhar amigo que conhecendo as angustias, conflitos, e ausência de padrões impostos , permanece apesar de quem somos.. é reconhecer sem medo que a falha resiste a busca dos fantoches do Deus, mas que cai ao ouvirmos “desce Zaqueu, porque hoje quero me encontrar com você, quero que meus olhos, possam encontrar os teus”.

 Zaqueu apagou as luzes para a vitimização que ele possuía, ele se olhou no espelho, e percebeu que estava o caminho certo, porém no lugar errado,e é normal e fácil se perder no deserto, pois o sol e seu brilho ferem os olhos, a sede e desidratação desnorteiam, vivendo um completo abandono, não de sermos deixados, mas de definharmos por não irmos ao encontro da luz na mina escura e funda, da solução, do alivio da angustia a ser jogada fora..
Descer da árvore, ainda que sem rumo, sem saber o proposito, a razão é reconhecer que a intimidade de ser olhado nos olhos, é suficiente para permitirmos ter Jesus em nossa casa, é calar a religião pra viver a relação, deixar a pequenez e com apenas uma palavra encontrar-nos com o socorro, intimidade só é construída quando não ofuscamos nada, nem os defeitos, intimidade e encontro tratam – se de verdadeiramente criar e adquirir respeito...
Descer da árvore é sentir saudade do colo e abraços que afagam e não julgam, dos olhos que pegam as falhas e as transformam em força de caráter verdadeiro e não mera fraqueza, e só tem saudade quem conheceu a nobreza do encontro de fato.

Se nos fosse dado o direito de um único pedido, o que seria? Seria algo mirabolante ou sutil? Qual é o encontro que lhe é necessário, para reconhecer que nada tens e mesmo assim Ele permanece fiel a ti? Qual é o olhar amigo que ilumina a mina escura e funda da tua alma? A quem você precisa pedir perdão? Qual é o encontro que silenciará o grito dado em cima de uma árvore? A vitória vem sim mesmo quando parece ser o fim, mas ela só nos encontra quando descemos da árvore e iluminamos o ambiente para que a vejamos.

O IMPORTANTE NÃO É O TEMPO QUE VOCÊ ESTEVE EM CIMA DA ÁRVORE, MAS O MOMENTO EM QUE VOCÊ SE PERMITIU SER ENCONTRADO PELA INTIMIDADE COM DEUS.

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